
Adolescente cego viraliza ao ‘ver’ personagem de Madagascar com as mãos no Beto Carrero
O vídeo do encontro entre Davi Lucas Vasconcelos Silva, de 13 anos, e o personagem Rei Julien, da franquia Madagascar, viralizou nas redes sociais. O adolescente cego o conheceu pelo tato durante uma apresentação no Beto Carrero World, em Penha (SC).
As imagens mostram que Rei Julien se aproximou do público para cumprimentar as crianças. Ao ver o personagem perto do filho, a mãe explicou ao intérprete que Davi tem deficiência visual e pediu que o menino pudesse tocar no rosto do boneco para sentir os detalhes da fantasia (assista acima).
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O pedido foi atendido prontamente, e o ator ajudou Davi a explorar a caracterização com as mãos. A interação emocionou a família e virou uma das lembranças mais marcantes da viagem.
“Foi muito espontânea minha reação. Eu pensei: ‘Tenho que aproveitar esse momento agora, tenho que pedir agora, tenho que falar agora, senão depois talvez a gente não consiga mais ver o Rei Julien’”, conta a mãe dele, Fabiana Maria da Silva.
Até sábado (17), a publicação acumulava quase 20 milhões de visualizações na internet. As imagens foram gravadas em abril deste ano pela mãe do menino, mas passaram a repercutir nos últimos dias nas redes sociais.
Fabiana registrava trechos da viagem para publicar no perfil de Davi nas redes sociais. Ela filmava o passeio quando o encontro com o Rei Julien aconteceu.
“Foi uma interação incrível, uma inclusão linda, que, infelizmente, a gente não encontra em todos os lugares”, afirma.
Família viajou de Recife para realizar sonho de conhecer parque
A família viajou de Recife (PE) para realizar o sonho do adolescente de conhecer o parque temático.
Durante os dois dias de passeio, Davi aproveitou as atrações e assistiu aos shows. Para que ele pudesse acompanhar as apresentações, a mãe, o pai e a irmã narravam em detalhes o que acontecia no palco.
“Ele é muito aventureiro, gosta de se aventurar, gosta de se arriscar. Davi aproveitou muito o parque e brincou em todos os brinquedos”, relata a mãe.
Davi Lucas Vasconcelos Silva, que tem deficiência visual, conhece personagem da série Madagascar por meio do tato
Redes sociais/Reprodução
Diagnóstico de doença rara aos 7 anos
Davi começou a perder a visão aos 5 anos e meio. Aos 7, recebeu o diagnóstico de CLN3, uma variação da doença de Batten, que é uma síndrome rara e neurodegenerativa.
🧠 A Síndrome de Batten (também chamada de Lipofuscinose Ceróide Neuronal ou CLN) é um grupo raro de doenças genéticas e neurodegenerativas que afetam o sistema nervoso central.
Ao notar as primeiras dificuldades visuais do filho, Fabiana iniciou a busca por médicos. A família consultou diversos especialistas e passou um ano sem respostas, enquanto a visão do menino piorava rapidamente.
“Ele foi perdendo a visão muito rápido. Em um ano, Davi perdeu 90% da visão”, relata a mãe.
O diagnóstico definitivo veio por meio de um teste genético. O resultado chegou por e-mail no dia do aniversário de 7 anos de Davi, pouco antes de uma consulta médica.
“Eu estava lendo meus e-mails e chegou o resultado do exame. Comecei a ler, não entendi muita coisa, porque tinham muitos termos técnicos, mas fui buscar na internet. Foi quando me deparei com o diagnóstico da doença de Batten”, lembra.
Davi e Fabiana juntos. Família é de Recife.
Arquivo pessoal
Prioridade para experiências e memórias
Após o diagnóstico, os pais passaram por um período de luto e adaptação. Um conselho médico, no entanto, mudou a rotina da família: focar em aproveitar o tempo juntos e proporcionar experiências marcantes aos filhos.
“Ele nos aconselhou: ‘Aproveita Davi hoje. A gente não sabe o dia de amanhã de Davi, como é que vai ser. Então, aproveita para passear com ele, para realizar sonhos que estejam, claro, no nosso alcance, para criar memórias afetivas’”, relata a mãe.
A partir dali, a família começou a viajar e montou uma lista de destinos desejados pelas crianças. O Beto Carrero World era o principal sonho de Davi.
“Começamos a valorizar mais essa questão de criar memórias, de viajar mesmo, de colecionar momentos. E não se preocupar mais em ter coisas, mas sim em dar a ele a oportunidade de viver coisas”, afirma Fabiana.
Fabiana destaca que a viagem foi marcada pelo acolhimento recebido no parque. Sempre que a equipe era informada sobre a deficiência visual de Davi, os funcionários demonstravam atenção e carinho para incluí-lo.
“Todo mundo tratou muito bem a gente. Eles são muito educados, muito gentis. Em todo canto que eu falava que ele tinha deficiência visual, as pessoas abraçavam, falavam com ele e davam a atenção de que ele precisa”, diz.
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