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    Mulher que se passava por criança também aplicou golpes no Paraná, conclui polícia; investigação foi reaberta após prisão em SC

    adminFonte: admin15 de julho de 2026Nenhum comentário
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    Mulher presa por fingir ser criança é reconhecida no Paraná
    A Polícia Civil concluiu que Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, também aplicou golpes no Paraná. Ela foi indiciada na última sexta-feira (10) pelo crime de estelionato, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba.
    As investigações do caso foram reabertas no começo de junho, depois que integrantes de um grupo de oração do Paraná reconheceram a mulher quando ela foi presa em Santa Catarina por se passar por uma adolescente de 12 anos.
    Eles dizem que também foram vítimas dela, quando, em 2021, ela se passou por uma jovem de 13 anos com câncer terminal e tirou dinheiro deles. Entenda abaixo.
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    O caso foi registrado em um Boletim de Ocorrência em 2022 e um inquérito foi instaurado em dezembro do mesmo ano. Segundo a Polícia Civil, a equipe policial investigou a situação, mas, naquele momento, não foi possível chegar à autoria do crime.
    Com o surgimento de novas informações a partir da prisão em Santa Catarina, a Polícia Civil intimou as vítimas de Colombo para que fizessem o procedimento de reconhecimento da suspeita.
    A mulher, identificada como Amanda Maria Souza de Oliveira, disse à família catarinense que se chamava “Gabriele”. Já para os paranaenses, ela usava o nome “Emily”.
    Em interrogatório, Amanda negou os crimes imputados a ela em Colombo, conforme a Polícia Civil.
    O g1 procurou a defesa da mulher, mas não teve resposta até a última atualização desta reportagem.
    Amanda Maria Souza de Oliveira em imagem cedida pela assistente social Delma Soares, se passando por uma adolescente de 12 anos.
    Arquivo Pessoal
    Suspeita se aproximou das vítimas dizendo que estava em fase terminal
    No caso envolvendo o grupo de oração, Amanda teria passado cerca de dez meses relatando histórias de doença, abandono, violência e perdas familiares. As vítimas afirmam que só começaram a desconfiar quando ela passou a pedir dinheiro.
    “Nós tínhamos um grupo de oração na época do Covid e nós nos reuníamos online. Então ela surgiu, dizendo que era uma criança de 13 anos, que estava em fase terminal, e ela queria que nós orássemos para que ela morresse, porque a mãe dela vivia no hospital por conta dela, e ela queria morrer para que a mãe pudesse descansar. Nós ficamos atônitos: como é que uma criança de 13 anos pede para morrer? Então a gente se envolveu nessa história”, contou uma das vítimas, que não quis se identificar.
    A mulher chegou a tatuar o nome “Emily” no pulso após criar um forte vínculo afetivo com a suposta adolescente. A tatuagem foi removida depois que o golpe foi descoberto.
    “Primeiro ela pede para eu ser madrinha, porque, como ela estava morrendo, ela queria entrar no céu, e, para entrar no céu, ela tinha que ser batizada. Quando a mãe dela morre, ela fala: ‘Já que a minha mãe morreu, eu posso te chamar de mãe?'”, detalha a vítima.
    Vítima tatuou o nome que suspeita usava para se passar por criança
    Reprodução
    Apesar de o Boletim de Ocorrência e de uma representação formal terem sido registrados em 2022, as vítimas afirmam que o caso ficou sem avanços por anos.
    “Comigo foi muito cruel, minha cunhada tinha acabado de falecer. O que eu perdi de vida, de emocional, de psicológico, ninguém vai restaurar. Ela chamava os meus filhos de irmão. Meus filhos chamavam ela de irmã e gravavam vídeos e áudios para ela todos os dias. Quando eu lembro que deixei de pegar a minha sobrinha no colo, – que foi a filha do meu irmão que deixou de ter mãe –, por causa dessa bandida. E se soltarem ela agora, ela vai fazer mais vítimas”, desabafa.
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    História com câncer, mortes e abuso
    Segundo a advogada que representa as vítimas, após entrar em contato com o grupo de oração, Amanda passou a criar uma trama cada vez mais complexa para conquistar a confiança dos participantes.
    Ela dizia que precisava de um transplante de medula óssea, relatou a morte da mãe após um acidente de carro e afirmou ter passado a viver com o pai e a avó.
    Depois, contou que sofria agressões, que o pai teria cometido crimes contra ela e que ele acabou tirando a própria vida. Também alegou que o câncer havia se agravado, estava em metástase, e que precisou ser internada diversas vezes.
    “Durante seu novo internamento, ‘Emily’ relatou ter sido estuprada no hospital e, ainda, que precisou amputar um de seus braços, em razão do agravamento da doença”, detalha a notícia-crime que comunicou o caso às autoridades.
    As histórias provocaram forte comoção e fizeram com que os integrantes se envolvessem cada vez mais emocionalmente com a suspeita. Ao longo dos meses, ela evitou encontros presenciais e sempre encontrava justificativas para não ser vista.
    A farsa começou a ruir quando Amanda passou a pedir dinheiro aos participantes. Desconfiados, eles procuraram hospitais citados por ela e não encontraram registros de internação. A confirmação veio durante uma videochamada.
    Uma integrante pediu para conversar com uma suposta tia da adolescente e percebeu que a mulher na tela era a mesma pessoa que se apresentava como “Emily”. Pressionada, ela admitiu que não era uma criança doente, mas uma mulher adulta que havia inventado toda a história.
    Mulher conviveu com família de SC por 14 meses
    De mamadeira ao Mounjaro como agia mulher de 37 anos que fingiu ter 12 anos para enganar família de SC
    (Foto: Redes sociais, Reprodução)
    O caso ganhou repercussão após a prisão de Amanda, em Joinville.
    Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, ela viveu por 14 meses na casa de uma família após alegar ter fugido de maus-tratos no Pará. A ata da audiência de custódia mostra que a investigada se aproximou da família por intermédio de um pastor da igreja. Inicialmente, declarou ter 18 anos, experiência em panificação e que buscava emprego.
    Com o passar do tempo, no entanto, passou a relatar problemas de saúde e dificuldades financeiras, o que motivou o casal a acolhê-la temporariamente em casa. Após conquistar a confiança da família, a mulher teria alterado sua versão, afirmando ter apenas 11 anos e alegando ter sido vítima de abusos.
    O casal, então, se sensibilizou e permitiu que ela passasse a morar com eles. Acreditando na condição de vulnerabilidade infantil apresentada por ela, o pai e a mãe chegaram a organizar uma festa de 12 anos para a menina comemorar o suposto aniversário.
    A investigação aponta que a suspeita aplicou golpes semelhantes em ao menos outros sete estados.
    Em depoimento à Polícia Civil catarinense, Amanda Maria Souza de Oliveira confessou ter aplicado o mesmo golpe em outros cinco estados: Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Ceará. Um caso em Natal (RS) também veio à tona.
    Em Santa Catarina, as investigações foram concluídas e ela se tornou ré pelos crimes de falsa identidade e estelionato.
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