
Máfia dos Celulares: criminosos movimentaram quase meio bilhão de reais, segundo MP
A investigação que resultou na prisão de 15 suspeitos em São Paulo revelou uma estrutura especializada para transformar celulares roubados em produtos aparentemente legais. O esquema envolvia adulteração de IMEIs, emissão de notas fiscais fraudulentas e atuação de técnicos conhecidos entre os criminosos como “icloudeiros”.
Segundo o Ministério Público, esses profissionais atuavam em uma das fases mais sofisticadas da operação. Após passarem pelos receptadores, os aparelhos eram encaminhados para laboratórios clandestinos responsáveis por alterar informações de identificação dos celulares.
Máfia dos celulares: operação revela esquema por trás do roubo de aparelhos no Brasil
O que é o IMEI
O IMEI funciona como uma espécie de número de série do celular. É por meio dele que operadoras, fabricantes e órgãos públicos conseguem identificar cada aparelho individualmente.
De acordo com a investigação, os criminosos exploravam a falta de integração entre as bases que registram essas informações. A estratégia consistia em substituir o IMEI de celulares roubados pelos números pertencentes a aparelhos inativos. Com isso, os dispositivos passavam a circular sem levantar suspeitas imediatas.
Os investigadores comparam a prática à clonagem da placa de um veículo roubado. Na aparência, o aparelho deixava de carregar a identificação associada ao crime e ganhava uma nova identidade.
A atuação dos ‘icloudeiros’
Os chamados “icloudeiros” eram apontados como responsáveis pelas alterações técnicas nos aparelhos. Interceptações analisadas pelos investigadores mostram negociações envolvendo correções de números de IMEI e pedidos de desbloqueio de celulares com restrições por roubo.
Um dos investigados apontados como integrante desse grupo foi preso durante a operação. Segundo o Ministério Público, os “icloudeiros” tinham papel fundamental para permitir que os celulares retornassem ao mercado.
Notas fiscais falsas
Depois da adulteração dos celulares, o esquema avançava para outra etapa: a emissão de documentos fiscais falsos. O objetivo era criar uma aparência formal de regularidade para os aparelhos roubados.
Promotores afirmam que a fraude ia além da mudança do IMEI. Também havia uma estrutura voltada à geração de notas fiscais com informações específicas dos celulares, incluindo modelo, capacidade de armazenamento, valor e número de identificação.
Segundo os investigadores, a combinação entre IMEI adulterado e documentação fiscal fraudulenta ajudava a inserir os aparelhos novamente no mercado de forma aparentemente legítima.
Mudança nas regras
Para dificultar esse tipo de fraude, o governo de São Paulo passou a exigir a inclusão do IMEI na emissão de notas fiscais eletrônicas para celulares. A medida busca aumentar a rastreabilidade dos aparelhos e reduzir a possibilidade de “esquentar” produtos roubados por meio de documentação falsa.
Após a receptação, os celulares seguiam para núcleos especializados responsáveis por modificar o IMEI
Reprodução/TV Globo
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